domingo, 13 de setembro de 2009

Dia Triste

Neste domingo, o sol deu suas caras (depois de ficar dias escondido), mas logo depois ele se escondeu novamente dando lugar a uma garoa na cidade. Enquanto muitos descansaram, festaram e assistiram filmes, eu trabalhei neste final de semana.

Abri um jornal antigo, do dia 24/08/2009 e me deparei com uma bela crônica da jornalista Elaine Tavares. Ela narra um dia triste e cansativo por qual passou, e eu me indentifiquei tanto, pois (na correria diária) tenho vivido dias iguais. Quem tiver tempo, leia. Caso contrário, volta depois pro blog para ler.


Dia Triste

O dia começa tenso. Muita coisa pra fazer e as horas parecem não dar conta. Trabalho demais, estrutura de menos, demandas excessivas, encheção de saco por parte de quem não faz nada, TPM, dores pessoais. Tudo conspira para uma grande explosão. O tempo vai passando e a pressão aumenta. O coração dispara, a mente desatina, o corpo enrijece.

Então aquela pessoa joga a última gota, a que faltava. O mundo desaba. O dia escurece, a ira aflora, a mágoa rói. Mas é preciso reprimir, afinal, ninguém tem culpa das nossas misérias. Esse é o destino de quem se faz tanque de guerra. Por fora, lago sereno. Por dentro, vulcão.

Na hora de ir embora, a chuva aparece. Jorra forte, intensa, parece zombar do turbilhão que assoma lento, mas furioso. Vou para a parada do ônibus, cheia de bolsas, carregada do peso dos livros. O horário falha. O ônibus não vem. Um carro passa sobre a poça de água e a roupa encharca. Os minutos se arrastam. Passam-se 45 minutos, e eu molhada feito um pinto. Quando vem, o busão está lotado, pois pulou um horário. Não há lugar para sentar.

Lá vou eu, o peito ardendo, segurar a onda de enfrentar o trajeto até o Rio Tavares, em pé, com duas sacolas, espremida feito sardinha. Com a chuva, o trânsito está mais lento do que o normal, sinal de que será uma longa jornada. Uma hora e quarenta minutos para fazer menos de 30 quilômetros. Algumas mulheres gritam para que se abra a janela. Têm medo da gripe A. Outros não querem nem saber de se molhar. O ônibus parece uma panela de pressão. Todos se olham com raiva.

Quando chega ao terminal, lá se vai o Castanheira. Por um minuto perco o segundo busu. Toca esperar mais 30 minutos no vento frio. Sinto que se alguém me tocar, explodo! Então, finalmente sigo para casa. Mais 30 minutos pelas ruas do Campeche.

Quando salto no ponto, a chuva está torrencial. Prioridade para os livros. Tiro o casaco e embrulho nele as bolsas. Um avião passa baixinho, descendo para o aeroporto. A bomba finalmente detona. Só então, sob a chuva, começo a chorar. Foi um dia duro.

E, às vezes, até mesmo um tanque de guerra precisa de um pouco de ternura. É o meu cachorro, todo pureza, quem me recebe, serelepe. Suas patas barrentas na minha blusa branca mostram que pelo menos, para ele, faço a diferença. Meu Steve Biko salva o dia.
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Te entendo perfeitamente, Elaine

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