sábado, 21 de novembro de 2009

Do que você tem medo?

Liguei o rádio na Atlântida FM e a música rolava solta fazendo um questionamento pra mim. "Qual é o teu segredo? Do que você tem medo? Não sou nenhum brinquedo que pode se quebrar..."

Essa música do Reação em Cadeia é antiga e fez muito sucesso em alguns verões atrás, mas o questionamento é atual. Do que temos medo? Não sei de vocês (meus poucos e fiéis visitantes), mas eu tenho medo de várias coisas e acredito que todos vocês também.

Quem é que não tem medo de amar e não ser correspondido? Quem é que não tem medo de ficar desempregado e passar fome? Quem é que não tem medo de ser sozinho neste mundo? Ou então, quem é que não tem medo de perder a mãe, pai, filhos - ou outro alguém que você ama - de forma tão precoce nesta vida?

Estes foram alguns exemplos de medo que TODOS nós humanos carregamos. São os medos fixos e que acompanham a gente por toda a vida, uns de forma mais intensa e outros menos. Depois vêm os medos secundários (aquele que é muito particular da pessoa). Alguns têm medo de viajar de avião, outros têm medo de tomar banho de mar e inúmeras mulheres têm medo de baratas, enfim.

O meu medo no presente (nossa vida passa por várias fases e ele vai trocando) é da ansiedade. Descobri que a ansiedade é capaz de matar uma pessoa, se não for controlada. Explico: Esta semana minha mãe fez uma cirurgia delicada, que inúmeras pessoas não saíram do hospital depois dela (não cabe aqui dizer qual é). Porém, com os avanços da medicina, esta cirurgia se tornou mais simples e o percentual de problemas com o paciente é baixo. E quem disse que isto me tranquilizou?

Enquanto o dia da cirurgia não chegava, a minha mente não trabalhava direito. Foram inúmeras noites em claro, alimentos mal digeridos e cansaço mental por causa desta ansiedade excedente que gera preocupação. Nossa mente é capaz de projetar grandes monstros.

Escondi dos outros, o que se passava comigo (bem o meu tipinho de guardar os sentimentos e não deixar transparecer) e a minha preocupação disparava nas alturas. Depositei toda a minha fé de que iria dar certo, mas o mal insistia em plantar a semente do: "e se der errado? Como seria a minha vida sem a mãe, minha base e o meu tudo?"

A cirurgia ocorreu de forma bem tranquila, a mãe já recebeu alta do hospital e está em casa com uma boa recuperação e todos os devidos cuidados (Graças a DEUS). E eu que sofri por antecedência? Ganhei alguma gastrite, olheiras e outros pequenos problemas decorrentes desta expectativa.

Um dia buscarei algum tratamento para amenizar a ansiedade que carrego comigo em todos os aspectos (se eu não conseguir controlar ela, claro). Vivenciei o medo do desconhecido que insistia em me abater. Amigos próximos sabiam que eu não estava no meu normal.

Fiquei mais tranquilo só quando abri o jogo para uma amiga que passou pela mesma situação da minha mãe. Ela foi uma iluminada e me tranquilizou, só então questionei o porquê não tinha falado com ela há mais tempo? Por que guardei comigo algo que poderia ter sido compartilhado e acalmado esta minha ansiedade EXTREMA de preocupação?

Eis o problema... temos medo, guardamos conosco e sofremos. Perdemos ótimas oportunidades pelo simples medo de tentar. Citei o exemplo do meu medo existente na ansiedade e os problemas acarretados por ela.

Não é apenas na área da saúde que o medo atua e deixa a pessoa sem viver por completo. Quantas pessoas estão casadas com alguém que não ama de verdade e são infelizes? Encontraram a alma gêmea no passado e perderam pelo simples medo de tentar e não dar certo.

O medo sempre vai existir, mas não devemos fazer com que ele tome as rédeas de nossa vida. Quem ama tem medo de perder a pessoa em questão. Precisamos viver mais sem se preocupar com o amanhã. Não adianta estar no presente e viver pelo futuro (que ainda não chegou e que nem sabe se vai chegar).

É fácil? Nem um pouco, pois a vida é movida por sentimentos e estes são bem complexos para traçar uma sequência lógica. Mas uma coisa é certa: Independente do nível de relacionamento com a pessoa amada (pais, amigos, namoradas (os), parentes...) não devemos deixar que o medo impeça de demonstrar o quanto amamos estas pessoas, antes que possa "ser muito tarde pra voltar atrás".


3 comentários:

  1. Nossa, Filipi!
    Acho que este post foi um dos melhores que já li por aqui. Me emocionou. Vc está 100% correto, e expõs sua ideia excelentemente e com sentimento.
    Que bom que sua mãe está bem.
    A ansiedade, assim como o desânimo, travam a vida da gente. Precisamos combatê-los mesmo, pois são como erva daninha.
    A melhor forma ainda é se abrir com alguém, vc mesmo pode experimentar com isso aliviaa a pressão.
    Bjo na alma e muita paz!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Que bom que a sua mãe está bem. E também não consigo me abrir para muitas pessoas, as vezes ficamos carregados desses problemas, a cabeça dói ficamos com essas "olheiras". Mas no fim tudo se ajeita...beijos amigo e sucesso sempre!

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