quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Lembranças resgatadas na reunião de condomínio

Moro no mesmo lugar há 23 anos, ou seja, desde quando nasci. Meu prédio é um lugar simples, sem luxo, mas localizado no coração da cidade de Criciúma, bem no centro. Por aqui já construí grandes amizades, mas que se perderam com o tempo. Sabe aquela história "A distância não separa os verdadeiros amigos"? Separa SIM, ao menos no meu caso. Sempre que um amigo se mudava, havia promessas de visitas no novo local e de nunca perder o contato. Bobagem...

Falar para quem está indo embora que o contato vai ser mantido era menos doloroso do que aceitar a verdade. A gente até tenta no início, um vai na casa do outro, mas chega uma hora que ambos não podiam mais se ver e então tudo esfria. Quando cai a ficha, aquele GRANDE amigo do prédio já era um desconhecido. Não há culpados. Quem se muda conhece novas amizades e quem fica se via obrigado a viver com ausência de quem gostava.

Foi assim que vivi grande parte da minha infância. Internet não existia, celular era artigo de luxo e amizades eram feitas e desfeitas por causa de um caminhão de mudança. Um dos momentos mais mágicos era quando a gente brincava na garagem do prédio. Aquele tempo não existia estes aparatos tecnológicos, nem leis que proíbem correr, brincar e fazer barulho na garagem. O bom senso era preservado e tudo era permitido, desde que não estragasse os carros dos moradores (na época recheado de chevettes, fuscas, fiat uno e afins).

Um momento marcante era as reuniões de condomínio quando os moradores participavam em peso. Enquanto nossos pais discutiam o melhor futuro pro prédio, nós brincávamos de esconder entre os pilares na garagem. Lembrei de tudo isso na reunião de condomínio que participei nesta terça. Agora elas são feitas no salão de festas, estrutura sonhada por muitos amigos que saíram desde local sem ver ele pronto e funcionando. Ficou tão bonito este lugar.

Depois de oito anos voltei a participar dessa reunião. A última que participei com a mãe, tivemos que sair de vergonha quando a síndica interina começou contar quem estava devendo. Nossas finanças nunca foram das melhores e sempre tivemos um histórico de atrasar um pouco, mas nada justifica fazer as pessoas passarem vergonha. Ainda mais quem tem o hábito de pagar tudo, mesmo um pouco atrasado. Enfim, coisas do passado que traumatizam a gente. Graças a Deus hoje tudo melhorou.

Fui obrigado a voltar participar da reunião porque recebemos uma multa por circular com a cachorra no hall de entrada. Não vi cabimento e fui reclamar com a síndica (que hoje é outra). Ela falou que a proibição surgiu na reunião de condomínio e que, se quisesse retirar a multa, era hora de participar destes encontros para defender meu ponto de vista. Sem alternativa, chamei a vó (que mora no meu prédio) para ir comigo participar da reunião do mês.

Lá não ouvi nada de interessante além da reforma da garagem. Soube que um gurizão do 5º andar vai se mudar para Curitiba e que a mulher do 7º voltou a morar no prédio depois de 10 anos fora. Também soube que a mulher do 6º está com unhas e cabelo novo, e que um morador desconhecido deixa o alarme do carro disparando na frente do prédio. Tudo bem, não me arrependo de ter participado. Enquanto eles iam falando, eu estava com a cabeça longe lembrando dos momentos bons que já vivi neste lugar.

Lembrei de tanta gente boa que passou por aqui e deixou sua marca no meu coração. Onde será que elas vivem? E como estão? Ah, Deus... quantas saudades.

5 comentários:

  1. Lipe, eles não podem aplicar a multa se não disponibilizaram a ata da reunião em que isso foi decidido aos moradores.

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  2. Ahhhh
    Tb sou super contra esse negócio de cobrar em voz alta. Isso sim deveria ser proibido! Existe legislação para isso, confere! ;-)

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  3. meu marido me proíbe de participar, diz que sou muito encrenqueira, o que, aliás, é a pura verdade.
    nunca morei em condomínio antes, sempre em casa e pior, em vila.
    lendo seu texto imaginei o condomínio do passado como a verdadeira comunidade. onde as pessoas trocavam xícaras de açucar e as crianças brincavam na garagem (antes dos burocráticos play grounds).
    hoje o clima é diferente, as pessoas (eu me incluo nesse grupo) se protegem até dos vizinhos. têm medo de ter a privacidade invadida...têm medo de uma amizade próxima que possa vir a ser sufocante.
    as reuniões de condomînio viraram palco de reinvindicações particulares, pouco de discute para o bem do coletivo. aliás, coletivo que nem existe. são apenas "várias caixas empilhadas dentro de um mesmo grande cubo"...disputando por vagas de garagem, por privacidade, por espaço no elevador, pelo carrinho do mercado, pela melhor vista...
    há 4 anos minha melhor amiga é uma vizinha. apesar do encontro ter se dado por causa da convivência (na piscina) temos filhas da mesma idade, a amizade se desenvolveu...e eu, sinceramente, espero que não vá embora no caminhão de mudança.
    beijos
    Mariah

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  4. Pri: Pois é, e ninguém que tem cachorro participava da reunião então me ferrei.


    Mariah: Fique tranquila. Hoje, com tanta tecnologia e facilidade de comunicação, é mais difícil perder o contato de alguém legal quando essa pessoa vai para longe. A internet não deixa =)

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  5. Morei dos 4 aos 14 anos numa outra casa aqui na minha rua...dos 14 aos 19 fomos morar num apartamento...predio da familia e tal, meus tios e minha falecida avó, no terreo era(ainda é) o restaurante do tio...mas meus pais nao se adaptaram bem e voltamos a morar na mesma rua de antes(so que outra casa , construimos) Mas aqui ninguem nunca se mudou, acredite hauahauh...E no predio agora é de estranhos, foram todos os aps vendidos qs


    :*

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