terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Razão x Emoção: Uma histórica briga de gigantes

Permita-me resumir uma história famosa que conhecemos desde criança: Adão e Eva. Deus, quando criou o mundo, achou uma experiência fantástica demais para ficar desabitado. Por fim, decidiu dar Vida e criou Adão para usufruir da sua riqueza. Vendo que faltava algo para completar este homem, Deus tirou um pedaço da costela para criar Eva.

Ambos viviam bem felizes no paraíso que não conhecia existência do pecado. Disse Deus: "Vocês podem usufruir de tudo que temos aqui, menos comer daquele fruto proibido". Um dia o casal encontrou com a serpente que falou das maravilhas de comer o fruto proibido. Eva não resistiu, colheu a maçã e ofereceu para Adão. Furioso, Deus os expulsou do paraíso e fez a serpente rastejar pelo resto da vida. O resto vocês sabem.

O que Adão e Eva tem haver com a postagem de hoje? Tudo! Se historicamente eles foram os primeiros carregar vida com DNA dentro de si, então todos nós temos uma descendência deles e até hoje sofremos as consequências pela história do fruto proibido. Como assim? Vejamos: O que era o certo pra viver tranquilamente no paraíso? Não comer do fruto proibido = Razão. E o que o casal fez? Saciaram a curiosidade e comeram este fruto = Emoção.

Minha comparação é simbólica, visto que muita gente nem acredita nesta história e o que falo nunca foi comprovado cientificamente. Mas desde este episódio, o ser humano nasceu predestinado a dominar um duelo de gigantes que luta dentro de si: Razão x Emoção.

Quando o pai diz: não brinca com fogo que você vai se queimar (razão), a criança brinca com vela e se queima (emoção). Os professores repetem na sala de aula: não deixem para estudar depois senão vai faltar nota pro final do ano (razão). O aluno brinca, sai, namora e chega no final do ano passando aperto para não ser reprovado (emoção). Os economistas recomendam: gaste apenas 80% do seu salário e deixe 20% guardado pra emergência (razão). O que fazemos? Gastamos 150%, financiamos o resto, vira uma bola de neve e quando surge algum imprevisto, não tem grana (emoção).

O nosso coração não foge disso. Quantas vezes embarcamos num relacionamento sem futuro sabendo que vamos quebrar a cara? Não há compatibilidade ou não há amor, mas a carência atual insiste em dizer que precisamos de alguém. E quem não precisa? Quem não gosta de carinho, "mimimi", presentes e momentos agradáveis? Na área de relacionamentos, a carência é o motor que dá forças para emoção. Com ele ligado, a razão fica frágil e sem forças para coibir o ser humano de seguir adiante ao som das batucadas emocionais que o coração produz.

No início tudo é bom, para não dizer mil maravilhas. O casal tomado pela emoção se diverte e aproveita o que tem direito. Mas o tempo passa, a rotina cansa e a diferença entre ambos começa ficar mais acentuada. Ela achava que iria mudar ele tirando as manias grotescas que a emoção inicial do namoro tentava amenizar. Ele não mudou.

Ele pensava que ela sempre iria tolerar as bebidas, as saídas com os amigos no final de semana e a tampa do vaso sanitário em pé. Ela mudou e as manias, antes bobinhas e toleráveis, são motivos de brigas intermináveis dentro de casa.

Esta briga entre razão x emoção não tem e nunca terá fim. Vem desde o princípio e só acaba se a humanidade deixar de existir. No caso dos relacionamentos, quando a razão apita que o casal é incompatível e que vai dar problemas lá no futuro, a emoção quer mergulhar neste poço sem fim para colocar sentimentos a flor da pele e confrontar com que seu rival diz.

A emoção é gostosa e (quase sempre) convence o ser humano de ir pelo seu caminho. É uma pena que ela não aguenta o pique e entrega a vitória para razão de mão beijada. Nesta hora o coração partido se desmancha e sangra por dentro pela emoção ter falhado. Mas ele é fiel e vai embarcar na próxima aventura que ela disparar contra a razão.

Se a emoção conta com o coração ao seu lado, a razão é aliada da verdade. A postagem de hoje surgiu em uma conversa com os amigos do Twitter sobre a importância da verdade e de ser verdadeiro com os outros. Vou reproduzir alguns trechos pra vocês.

@lipecasagrande: Ultimamente tenho achado as pessoas mais verdadeiras no Twitter e no Blog. Pq na vida real, olha... tá difícil.
@judacoregio:  acho que sou verdadeira até demais. Pode prejudicar, pode ajudar, depende do ponto de vista.
@lipecasagrande: eu prefiro gente assim. O prejudicial de uma pessoa verdadeira é muito menor do que uma pessoa falsa.
@judacoregio: claro que às vezes a gente perde mto por ser verdadeiro. Talvez por concluir inconscientemente q os outros tbm serão. Outro problema é q esperam q sigamos apenas um padrão, e qdo se é verdadeiro isso é impossível. Ninguém é uma coisa só... aí nos julgam volúveis, confusos, até falsos, às vezes. Pelo menos eu passo por isso.
@lipecasagrande: te entendo. É que, às vezes, uma pessoa verdadeira deixa os sentimentos extrapolarem a flor da pele, oq reflete nas ações. Eu busco sempre ser verdadeiro, mas deixo a razão falar mais alto que a emoção. É uma luta e nada fácil de combater, mas tento.
@iuricardoso: tipo, sempre que eu me apaixono por qualquer coisa (algo ou alguém), eu sempre penso: vixi, vai dar merda! =P
@_clazanetti: ah como eu ti entendo, emoção x razão.
@judacoregio: mas c/ razão mais forte q emoção a vida seria bastante mecânica.
@iuricardoso: não acho que seria mecânica. Acho que seria o ideal. Eu consigo ter emoções, mesmo sendo racional. Acontece que muitas vezes a paixão vira uma obsessão. Tipo, foge do controle e isso não me faz bem.

O nosso debate terminou sem fórmulas mágicas que façam a razão vencer a emoção, porque elas não existem. É uma luta diária que exige muito esforço e concentração. Não quero dizer que tudo provido da emoção é algo ruim, só não devemos deixar ela dominar quem deve estar no controle da nossa vivência: a Razão.

Se hoje a humanidade está num caminho sem rumo, tropeçando nas próprias pernas e perdendo a linha do horizonte é por causa do erro cometido lá no passado. É aquela coisa: se a razão fosse mais forte que a emoção, não teríamos 80% dos problemas. Jorge e Mateus também enfrentaram essa briga de gigantes na canção "Inventor dos Amores" com Gustavo Lima.


Eu já não sei mais o que faço com meu coração
Eu não tenho mais o controle da situação
Todo caminho que eu sigo me leva a você
E quanto mais tento fugir, eu me aproximo mais
Não tem mais jeito, já se foi, razão ficou pra trás
Eu já não sigo meus instintos, medo de sofrer

E se eu me entregar, será que vai rolar?
Sou um doente, apaixonado, e ela tem razão
Se for pra ser assim, eu vou cuidar de mim
Eu penso em desistir, e ela diz que não

Meu coração apaixonado, atormentado, em dores
Procura entre os outros, o inventor dos amores
Espero que essa paixão nunca me deixe mal
Eu quero te amar e também quero ser amado
Desejo ser o seu amor, e não o seu escravo
Espero que essa paixão não tenha ponto final
Se não, Adeus tchau tchau!

6 comentários:

  1. não precisa ser uma máquina, basta não usar os sentimentos como desculpa para ser idiota.

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  2. Tá aí um post que me fez refletir. Razão e emoção, o duelo eterno.
    A emoção nos traz os momentos mais belos de nossas vidas, mas abre e reabre feridas, tazendo-nos dor.
    A razão, normalmente, evita que soframos, mas deixa o mundo um tanto sem sabor.
    Mas fique claro que escolher a emoção não significa sair por aí fazendo o que lhe dá telha à torta e à direita como se não houvesse amanhã e não se importando com as conseqüências. (isso é falta de relho na bunda que originou sérios problemas mentais).
    E escolher a razão não significa humilhar e magoar com a desculpa que “está sendo sincero ou falando a verdade” (isso é crueldade desnecessária).
    Escolha difícil feito todos os dias, todas as horas, até o fim da nossa existência.

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  3. Vcs dois foram brilhantes nos seus comentários.

    Volto a frisar que dominar emoção x razão não é nada fácil na vida real, apenas na teoria.

    Até porque todo ato racional vem carregado de emoção (seja forte ou fraca - boa ou ruim), mas nem todo ato emocional é feito com razão.

    O segredo é tentar fazer com que os dois caminhem juntos.

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  4. Mesmo com preguiça, tomei coragem de ler o texto até o final. E não é que faz todo o sentido?

    Cara como é difícil controlar meus impulsos. Quando o sangue sobe eu tomo atitude e nem vejo se está certo ou errado, mas depois me arrependo.

    Quero ver se escuto mais a razão da próxima vez.

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  6. Por incrivel que pareça , ja foi comprovado que todos os seres humanos decendem de um mesmo casal , más a ciencia tem duvidas sobre se eram humanos ou austrolopitecos .

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