Jornais nunca noticiam estes casos por questão de ética, respeito aos familiares e para não incentivar quem está com mente fraca a cometer tal absurdo. Nós também não devemos julgar o que leva uma pessoa praticar esse atentado contra sua vida. Mas não sejamos hipócritas. Todos nós refletimos quando sabemos de casos deste gênero. O nosso julgamento mental é inevitável e se for certo ou não, somente Deus poderá responder. Cada um cria uma tese e guarda para si, em sinal de respeito pela dor da família.
Não sou pai, não tenho esposa, moro com meus pais e irmão, e amo todos de paixão. Eu me imagino no lugar da criança que tem a infância destruída por desistência da parte de um dos pais, sabe? Eu, hoje, não conseguiria atravessar meus desafios sem o apoio dos meus pais. Quem dirá no auge da minha adolescência ou infância. Dizem que em primeiro lugar devemos ter o amor próprio. Mas e o amor daqueles que amam e depende da gente, não conta? Que direito eu tenho de acabar com meu sofrimento para começar o dos outros?
Antes que alguém venha dizer que estou me metendo onde não devo e nem fui chamado, saiba que não estou citando nomes para preservar as pessoas. Portanto, posso falar tranquilamente sobre o assunto e manifestar meu ponto de vista. Cada ser humano carrega uma história de vida única. As dores físicas e psicológicas são pessoais e intransferíveis. Por maior tempestade e desespero que alguém esteja enfrentando, eu não consigo imaginar que quem acaba com tudo (de forma artificial) não pensa naqueles que ficam.
Há algumas semanas, uma jovem médica - amiga da minha prima - enterrou sua mãe que foi vítima do câncer. Ela lutou e fez todas as cirurgias possíveis, mas como já estava espalhado pelo corpo... partiu com pouco mais de 50 anos. Lá estava uma família de luto, desesperados com a ausência que fica, mas orgulhosos porque ela fez tudo que podia para continuar vivendo. Agora volto para estas duas crianças órfãs de mãe. Como ficam?
Quem vai prepará-las para enfrentar esse mundo rebelde, interesseiro e feroz? Quem vai fazer carinho e aconselhar nos momentos de maior fraqueza? Quem vai responder suas dúvidas e dar coragem para que enfrentem o mundo de cabeça erguida? O pai? Sinto muito, mas carinho de mãe e pai são insubstituíveis. Um complementa o outro, nunca substitui. Tem horas que eu não entendo certas coisas da vida e nem a decisão de algumas pessoas, então me vejo obrigado descarregar o que penso e sinto neste blog. Até porque o blog é meu, então eu posso.
Muitos pais sacrificam sua vida para dar o melhor aos filhos. Muitos filhos já desistiram de algumas escolhas para não magoar os pais. O amor próprio deve, sim, vir em primeiro lugar. Todavia, isso não lhe dá o direito de acabar com a felicidade dos outros. Principalmente de quem mais te ama. Se por ventura, alguém muito triste e desiludido da vida estiver lendo este texto que achou na internet: pense, reflita e ignore qualquer ideia de suicídio. Há sempre alguém que te ama, precisa de você e quer te ver feliz. Seja no plano físico ou espiritual.
Nestes momentos complicados, lembre-se: "A tempestade vai passar".
Tribulações vencerei. As aflições superarei...










