segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Diga NÃO aos curiosos de velório alheio

Quem já perdeu alguém que amava, sabe como é triste uma despedida. É uma dor que vem da alma, e tem a mesma intensidade da sua proximidade com esta pessoa querida. Eu não gosto de frequentar velórios (ninguém deve gostar), prefiro manter distância destes momentos de dor e que não temos o que dizer para amenizar o sofrimento de quem fica. Só vou nestes locais se o corpo velado é da família, amigos, colegas, ou de alguém muito próximo ligado a uma destas pessoas por qual tenho respeito e admiração.

Neste domingo a minha mãe decidiu que na volta da praia, nós iríamos passar no cemitério municipal para olhar o túmulo do meu vô que faleceu em 2006. A justificativa dela era porque não foi lá visitar no Dia dos Finados. Tentei lembrá-la que a gente visitou o túmulo do vô dois dias antes:

Eu: - Mãe, pra quê ir ao cemitério? Esquecesse que estivemos lá no domingo passado, porque sabíamos que no dia dos finados tu não estarias na cidade?
Mãe: - Não importa filho, eu quero passar de novo pra ver o túmulo que minhas irmãs limparam e ver o arranjo de flores que elas compraram.
Eu: - Se é assim, está bem.
Mãe: - Vou aproveitar pra acender uma vela também.

Chegamos no cemitério vimos que não tinha mais o arranjo de flores porque roubaram (cretinos), e nem tinha vela guardada no túmulo para ela acender. Tempo perdido? Pra minha mãe, não. Ela aproveitou para rezar e chorar mais um pouquinho de saudades. Tudo bem, sei que o falecimento de pais ou filhos - geralmente - o ser humano sente mais. Além disso, também sei que um dia vai ser a minha vez de chorar por ela (se Deus quiser daqui há mais de 40 anos).

Na saída vimos uma capela bem movimentada e nessa hora sempre bate aquela curiosidade humana: Quem morreu? Só que a mãe não se conteve em ficar com a curiosidade e foi na busca de respostas.

Mãe: - Filho, vamos entrar ali.
Eu: - Ah, é! Capaz, nem conhecemos a pessoa. Vamos embora que tá anoitecendo.
Mãe: Que nada, está cheio de amigas professoras e eu quero saber se morreu alguém da educação.
Eu: - Tá bom, só não faz eu passar vergonha. E se for aquele menino de 22 anos que morreu nesse final de semana? Muito triste, não quero ir no enterro.
Mãe: - Vem comigo.

É incrível como a pessoas percebem quando alguém entra no velório sem conhecer ninguém e nem ter alguma ligação com o(a) falecido(a). Todos ficam te observando enquanto enxugam às lágrimas.

Mãe: - Procura o nome da pessoa. Todo velório tem nome ou foto da pessoa na porta.
Eu: - Você não disse que tinha um monte de amiga professora aqui? Cadê? Vai ali e fala com elas, cumprimenta e já pergunta.
Mãe: - Ah, não são bem amigas. Só as conheço de vista, mas sei que são professoras. Agora vê se tu achas o nome...
Eu: - Achei, olha lá no papel. O nome dela é Olinda.
Mãe: - Será que era nova?
Eu: - Por que você não entra ali pra ver? Eu acho que depois da década de 70, nenhuma mãe deve ter registrado alguma filha com nome de "Olinda".
Mãe: - Tá bom, vamos entrar com a mãe pra ver quem é.

Acho que o corpo tinha acabado de chegar, pois tinha gente chorando bastante. Na porta da capela eu desisti da ideia...

Mãe: - Por que não queres entrar? Achas que a mãe não deve ver o corpo?
Eu: - Olha mãe, se queres entrar, então vai sozinha. Eu não quero entrar ali e só olhar como se fosse nada. Tão chorando do lado do caixão,  e dai vamos ter que cumprimentar os familiares sem conhecer e nem poder dizer nada.
Mãe: - É mesmo né? Vamos embora daqui.

Nessa altura já tinha familiares e professoras "amigas" da mãe nos observando e fazendo uma bolsa de apostas pra ver se a gente entrava. Eu avisei que não era pra ir lá. Já passei por estes momentos de dor e sei o quanto é chato quem vai só pela curiosidade e - quando pior - ainda faz comentários desnecessários. Vamos nos respeitar gente. Diga NÃO aos curiosos de velórios alheios.

5 comentários:

  1. Caro Filipe,
    não entendi as "aspinhas" no nome da falecida. meu pai se chama Olindo. minha tia se chamava Olinda. tens algo contra esse nome? abraços.
    hauhahauhuauahahu

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  2. ahuahauhau, é que nunca conheci alguém com menos de 30 anos chamada Olinda (ou Olindo).

    Talvez errei pela dedução rsss.

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  3. Bah eu tb velorio so de gente muitooo proxima, minha vizinha morreu esse findi e nem dei as caras(devem pensar que insensivel, mas pelo contrario, sou sensivel demais)...até hoje so fui mesmo dos meus avos e da Julia (amiga que faleceu de acidente)acho... Hospital é outro parto pra ir ver gente doente...


    :***

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  4. Já eu não vou em velório de ninguém porque prefiro lembrar da pessoa viva e feliz ao invés de dentro de um caixão.

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  5. Oi, ri mto do seu humor e apoio a campanha rsrs...

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