Sempre pensei que ser sincero demais fosse uma grande virtude, mas com o passar do tempo percebi que isto pode ser um defeito HORRÍVEL. Em outubro de 2009, fiz um post neste blog com o seguinte questionamento:
"Ser sincero ou falso? Eis a questão". Tive manifestações nos comentários de dois leitores, e ambos foram muito felizes com as colocações.
Disse o
Chicuta:
Sinceridade sim, mas com bom censo. Senão não dá para conviver com ninguém.E disse a
Miriam:
A sinceridade as vezes magoa, então devemos saber a quem podemos falar o realmente pensamos. Acho que faço isto apenas com minha mãe. E olha lá...Na semana passada, li o post da
Deise Duarte no blog "
Jô chama eu", com o título:
Eu minto, mas é pro bem. Lá ela levantou uma questão que me fez refletir. "Qual o problema da mentira quando ela salva sua pele, seu emprego, seu salário ou o pescoço alheio? Existem situações em que a mentira pode ser nobre". Ela tem razão...
Ano passado, perdi uma ficante por causa da sinceridade. Estávamos prontos para ir numa festa, até que ela apareceu e fez a 'maldita' pergunta:
- Fiquei bonita?
Imagem meramente ilustrativa (a real tinha 30 quilos a menos)
Eu disse que SIM, caso ela fosse ser apresentadora de circo... estava perfeita! E também não preciso dizer que fiquei novamente sozinho, certo?
Minha sinceridade
costuma me colocar em saia justa. Formado em jornalismo, mesclo a minha profissão - que pede o exercício pleno com imparcialidade - com as minhas opiniões pessoais (onde cada ser humano tem a sua) e isso me prejudica bastante. Tem gente que gosta e prefere pessoas autênticas e verdadeiras, mas a grande maioria prefere ser bajuladas com a falsidade.
Num episódio mais recente, quase perdi uma GRANDE amiga que muito gosto e considero. Ela me pediu para fazer um serviço em seu lugar, e eu fui. Fiz todo o dever como manda o script, e depois que sai de lá fiz um comentário pessoal na minha página do Twitter sobre como os integrantes do local se comunicam.
Ela não gostou e ficou profundamente chateada com isso. Deu-me razão pelo comentário que estava certo, mas disse que mesmo assim eu não deveria ter dito, pois tem gente que não gosta e prefere não saber da verdade. Portanto, se percebi tal situação, que deixasse os outros perceberem ao ir lá.
Disse ela: "Filipe, tem gente que não gosta de saber umas verdades e prefere não ser corrigido pelos outros. É preciso ter cuidado. Precisamos nos policiar para falar só coisas boas que não prejudique ninguém, e camuflar as críticas que alguém pode não gostar". Ela tem razão, também. Essa minha amiga foi feliz na colocação. 
Quantas vezes nos disseram verdades que machucam? Serviu para alguma coisa? Se não for ajudar, é melhor não dizer. Falar para uma pessoa que ela é gorda - se ela sofre com isso - ou dizer que é manca, careca, FEIA, tem nariz de batata e jeito mongol, são verdades que doem. Se ela já sabe destes problemas, pra que vamos ficar relembrando?
Quando falamos uma verdade, tudo depende da forma de dizer. Falar para um filho que foge do banho:
- Vai logo tomar um banho, porque senão tu vais continuar fedido deste jeito seu porco imundo.
É a mesma coisa que dizer:
- Querido, tens como tomar um banho hoje? É que o suor impregnado no teu corpo está infestando a sala e isto não faz bem ao ambiente e nem a sua saúde.
Verdades iguais, porém ditas de um modo diferente, saca? A verdade de uma crítica dói, mas pode ser amenizada num simples jeito de falar. Tudo depende da intimidade existente entre a pessoa que vai dizer e aquela que vai escutar.